quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Reformando a vida


Decidi tecer com a linha da memória
E arrematar o pano de fundo da minha história.
Devo cerzir os buracos provocados pela dor
E dar bainha em todas as formas de rancor.
Hei de cortar as sobras negativas do ter sido
E tingir de esperança o laço do perdão remido.
Pregarei todos os colchetes da união
E usarei o dedal da dose de proteção
Ao concluir a arte final da criação!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Visita a Machado de Assis



Sei que estas palavras vão encontrá-lo no mais profundo do sono, quiçá, no despertar eterno...
Mas urge que eu as diga.
Estou aqui, postado a sua tumba, na esperança de sorver, ainda que você não mais respire, a nuvem de inspiração que o envolveu nos seus escritos.
É provável que, se vivo fosse, você me diria para não gastar as solas do meu sapato em vã escalada, afinal, só se atinge o topo, principalmente o literário, por meio de inúmeras leituras e, claro, muitas palavras deitadas no papel. Sim, no papel, afinal, no seu século, eram as penas que depenavam as folhas com garranchos e rabiscos (ilegíveis alguns manuscritos, tamanha era a rapidez da escrita para expor os pensamentos que se atropelavam). E mais: leia os clássicos. Todos. Neles, estão contidas todas as mazelas da humanidade desde os seus primórdios. Os tempos mudam. Sei. O progresso invade-nos por dentro e por fora. Até as doenças se atualizam. Antes, morria-se de tísica, pneumonia, febre amarela... Hoje, morre-se de doença universal: câncer, nas suas mais variadas raízes...
– Perscrute a história (você, com seu pincenê na ponta do nariz e dedo em riste, certamente, diria). Lá, estão incrustados todos os vícios e os pecados capitais da humanidade, ainda no engatinhar do progresso nos transportes, nas comunicações, enfim, desde que o homem surgiu na vertical – produzindo o fogo com o atrito das pedras, matando animais para se alimentar, construindo abrigo mais que rudimentar para se proteger das altas e baixas temperaturas, do fogo do sol e da água do céu – a soberba, a humildade, a inveja, a beleza, o ciúme, o bem, o mal, o ódio e o amor já se digladiavam, buscando reinar no coração humano. Essa é a matéria bruta com que se faz a arte. Seja ela em prosa ou verso; em tela ou som; em barro ou ferro... Mas há que se vigiar! “Nem tudo que reluz é ouro”, nem tudo que é exposto tem valia. É preciso, primeiro, eliminar algumas damas e cavalheiros expostos acima, para que a essência seja a mais pura, a mais original, pois, com alguns deles a tiracolo, as vistas se embaçam, as ideias intimam a razão para um duelo, suplicando, no final, à inveja, à soberba ocupar o trono imaginário, instalado na cabeça de um néscio.
Não busque tanto dar serviço ao corpo, levando-o a tantos lugares, outras nações, pensando que, com isso, ele absorverá cultura, inflando-se de sabedoria. Nunca saí do Cosme Velho, e, no entanto...
Sobretudo, dê especial atenção à cabeça: olhos, nariz, ouvidos e boca. Eles são seus maiores meios de comunicação e de transporte. Com os olhos, você irá ao infinito, nas múltiplas leituras que se dispuser a se aventurar; o nariz resgatará os mais antigos odores que marcaram sua infância, seu passado, transportando, à sua mente, cenas domésticas de almoços, jantares, festas familiares, esterco no curral, perfume da primeira namorada, suor de uma conquista, ao mesmo tempo que, também, invadirá as suas narinas o cheiro das flores derramadas em volta do corpo de um estimado...
Os ouvidos sempre serão sua porta de entrada. É por eles que lhe chegarão as mais diversas histórias, quer você as tenha solicitado ou não. Em casa, nas ruas, nos bares, nos bondes, livrarias, hospitais, escola, trabalho, funerais... Onde quer que você esteja, sempre haverá alguém contando, para você ou outro alguém, acontecimentos vivenciados por ele ou outrem. E isso deve ir diretamente para o seu arquivo mental. Fatalmente, dar-lhe-á várias histórias.
E, finalmente, a boca. Talvez seja a menos importante de todos os componentes de sua face no quesito literatura, afinal, nem todos os poetas ou escritores sentem-se à vontade para declamar seus versos ou ler seus escritos. Porém, ela lhe será de grande valia ao comunicar-se com os outros. Ela abrirá corações endurecidos, facilitará revelações sigilosas...
Enfim, caro mancebo, não fique nas nuvens, esperando que a chuva de inspiração desça sobre você. Os elementos estão com você. Em você. Enlace-os e se desenlace.

De repente, vi-me assentado, comodamente, “sobre” Machado, escrevendo essas parcas linhas...

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Laboratório Cont'minado

 



Especialistas em vaso sanitário – desculpem-me, esqueci de que a “melhor” palavra é privada – farão experiências com torneiras. O principal objetivo será abri-las, dando maior vazão à água, embora, ao final do experimento, o resultado seja uma invasão do esgoto (desculpem-me novamente. Retifico: de merda), levando alguns inexperientes participantes a fechá-las em definitivo, e, outros, a aderir à conclusão de que a merda seja necessária.

 Embora o espaço do laboratório fosse amplo, e uma pseudodescontração parecesse reinar nesse ambiente, a vez e a voz cabiam apenas aos especialistas, repito: em vaso sanitário, ainda que o objetivo fosse abrir torneiras...

 Cientes de que o oxigênio e o gás carbônico sejam necessários à perpetuação da espécie, os aspirantes a especialistas são, paulatinamente, conduzidos ao curral, sutilmente encurralados, reduzindo-se a gado: um atrás do outro, em obediência, e priorizando o gás carbônico...

 Por fim, não se veem mais como aspirantes: os que, após o experimento, se julgaram “incapacitados”, desistiram da especialização.

 Já os que se julgaram capacitados concluíram ser o vaso sanitário, isto é, a privada, mais importante que as torneiras, afinal, a “contaminação” tem maior alcance e, por isso, talvez seja mais importante se especializar em merda do que em torneiras para expulsá-la...


 

domingo, 21 de setembro de 2014

As estações da vida

 

Estávamos na primavera, a estação das flores. Os jardins pintavam a paisagem da cidade com suas flores multicores e, nas calçadas, os ipês de variados matizes forravam o chão embelezando as alamedas.
            Entrei no ônibus, que não estava cheio, e acomodei-me na cadeira da janela para observar a paisagem, enquanto deixava minha mente passear no meu passado, quando o perfume de flores invadiu as minhas narinas, levando-me a outra primavera de recordação e saudades: minha infância.
            Vejo-me menino esperto e sedento de aventuras na cidadezinha mineira de minha origem. Apesar do físico mirrado, aos 10 anos de idade não temia domar os irreverentes cavalos adquiridos pelo meu pai, nem conduzir a boiada à outra cidade, quando necessário. Ordenhar as vacas, no final da madrugada, após cavalgar até o sítio, era-me de grande prazer. Sentado no banquinho colocado aos pés da vaca, segurava firmemente suas tetas e num sincronismo de movimentos, eu via jorrar aquele leite grosso e espumante dentro do balde, que depois seria distribuído aos moradores da pequena cidade.
            E foi justamente um choro de criança que me trouxe de volta à realidade.
Elas estavam assentadas à minha frente, na dianteira direita do ônibus: a mãe e a filha com o bebê no colo.
            O ônibus trafegava no morno silêncio da tarde, já que adentrara no bairro de classe baixa da metrópole mineira.
O silêncio dos passageiros foi quebrado pelo choro insistente do bebê.  As duas mulheres conversavam em cicio, enquanto o bebê se agitava no colo da mãe. Consegui captar o olhar de ordem da mãe dirigido à filha, embora não entendesse as palavras imperativas.
            A filha, por sua vez, avermelhou o rosto. Enrubesceu-se enquanto chacoalhava a criança no colo, ansiando cessar seu choro.
            A avó voltou seus braços para o bebê, acomodando-o melhor para receber o alimento no colo da mãe.
            A jovem mãe, ainda envergonhada, olhou de soslaio para os passageiros, deu ainda com os meus olhos que procurei desviá-los imediatamente, e, embora receosa, voltou seus olhos para o bebê em pranto, abriu a blusa e retirou o seio para lhe oferecer.
            Mas o bebê já se irritara o suficiente e não conseguia abocanhar o peito, tamanha a ansiedade da mãe.
            A mulher, inquieta, tenta acalmar o bebê enquanto introduz o bico do seio na pequenina boca do infante. O bebê agita a cabecinha e grita sem conseguir mamar o leite que saciará sua fome.
            Entre sussurros de “psius” da avó já incomodada com os olhares dos passageiros e o nervosismo da filha, a jovem mãe resolve conversar com o bebê a fim de convencê-lo a sugar-lhe o leite:
            “Mama, neném. Mama, senão o gatinho vai mamar.”
            E o bebê continuava chorando.
            A mãe começa a se apavorar e repete seguidamente: “mama, neném, anda, mama, senão o gatinho vai mamar.”
            Foi quando, de repente, ouviu-se do fundo do ônibus um lento miado masculino: “miauuuu, miauuuu”.
            A mulher, assustada, guarda o seio sob a blusa e dirige o olhar suplicante para o homem que estava assentado na cadeira à esquerda de sua mãe.
            O sujeito abre a sacola do bebê que está no seu colo, e ergue seu corpo de 1,90m no corredor do ônibus, enquanto aponta um “38” para todos os passageiros e pergunta, cuspindo sua ira:
            _ Quem é o gatinho que está querendo mamar, hein?
            Um silêncio de morte impera dentro do ônibus, pois, com o grito do homem até o bebê emudeceu, e percebo que todos os olhares masculinos se voltam para a janela, buscando a rua como fuga.
            Sucessivos pedidos de calma são dirigidos ao homem, pela avó do bebê, enquanto a campainha do ônibus é acionada e dois homens (prováveis miadores) ganham a rua.
            Aos poucos, o silêncio e a calma voltam a reinar dentro do ônibus, já quase vazio, e eu volto o meu olhar à rua e continuo a minha viagem ao passado, enquanto observo as paisagens, os transeuntes...

            E, então, em frente à padaria, o ônibus chega ao meu destino. Desço, entro na padaria e compro o leite e o pão para alimentar meus filhos, que não mais estão na primavera como o bebê. Saíram da doce infância e, inquietos, sorvem com ansiedade o verão da juventude, enquanto eu e minha esposa serenamos no nosso outono, para que tenhamos um inverno pacífico e aconchegante.



                                                          
 

domingo, 15 de junho de 2014

Minha vida é uma partida de futebol


Entro em campo, diariamente, em meio a mais de um milhão de pessoas que habita esta metrópole.

O tempo da partida é cronometrado sagradamente todos os dias, o que não me impede de, quase sempre, fazer jus da prorrogação, principalmente em se tratando da minha sobrevivência: meu horário para almoçar sempre ultrapassa o horário normal de muitos viventes...

Nas diversas conquistas às quais me submeto, sofro diversos escanteios (nos ônibus, nas filas...); faltas – na aglomeração das ruas, sou atropelado por transeuntes mais que apressados...; e cartão amarelo é o que acumulo desde que me tornei cidadão com inúmeras responsabilidades: no trabalho, então, sempre sou alertado que: “desta vez passa, mas, na próxima...”

A mudança de técnicos que me comandam, seja na vida particular como na profissional, se dá esporadicamente. Se, no amor, a coisa não vai bem, logo acho substituta; já, no trabalho, a coisa é mais demorada, afinal, tenho de avaliar os custos de uma substituição à altura...
Tenho consciência dos sacrifícios necessários nesta competição acirrada, por isso, submeto-me a diversos exercícios físicos e mentais, mesmo cansadíssimo da jornada...
Vez por outra, penso em deixar o time da casa e arriscar uma conquista maior no exterior, porém, o orgulho pela camisa que visto ainda é grande...

Quando insisto em driblar as regras do jogo, posso ser retirado de cena definitivamente, abortando um futuro promissor, ou levar um cartão vermelho, dando descanso temporário ao meu corpo e minha mente, para retornar recuperado...
Finalmente, após acumular várias perdas e vitórias, às vezes, mais perdas que vitórias, encerro minha carreira no jogo da vida e me transformo em mais uma estrela neste espaço infinito...


sábado, 10 de maio de 2014

Mãe - Uma Escola de Vida!

              



                                                                         
Mãe
Reunião de todas as disciplinas na escola da vida.

Mãe em Português
Palavra que não tem sinônimo, porque é única e insubstituível.

Mãe em Matemática
Vinte e quatro horas de dedicação e 100% de doação.

Mãe em Biologia
Cérebro e coração caminhando juntos; é todo o corpo humano que se integra na missão de acolher, compreender e direcionar.

Mãe em Química
União harmoniosa de elementos químicos num seio materno, nos fornecendo todas as vitaminas e proteínas necessárias à nossa subsistência.

Mãe em Física
Velocidade e ação em sincronia com o cotidiano: é o corpo que se move em direção ao infinito.

Mãe em Geografia
Um imenso território de bondade repleto de relevos de emoções.

Mãe em Educação Física
Difícil missão de arbitrar, nos ensinando a ganhar e a perder em todos os jogos da vida.

Mãe em Línguas
Todas as palavras que nos soam estranhas, mas que têm profundo significado indicando-nos o caminho do bem.

Mãe em História
Uma reunião de sabedoria desde a pré-história até os tempos modernos.

Mãe em Desenho
Uma obra de arte englobando todas as figuras geométricas desenhadas pela mão do Criador.

Mãe é tudo isso. É, sobretudo, o amor de Deus num corpo de mulher para se dar, amar e perdoar.



                                   

terça-feira, 1 de abril de 2014

Parabéns!


     

Era uma manhã de sexta-feira em que as águas desciam torrencialmente sobre a cidade, fechando o verão.


Época em que os celulares ainda não tinham invadido o País, e em que as pessoas desfilavam nas ruas com brincos, pulseiras e relógios de ouro.

O sujeito entrou no ônibus, acompanhado de um rapazola, carregando uma mochila fina e comprida, donde se podia perceber um volume grosso e comprido em seu interior. Afora um olhar curioso que estendia volta e meia a todos os passageiros, não me pareceu que o indivíduo oferecesse algum perigo.

A viagem continuou até que minguaram os passageiros, estando, agora, todos assentados. E foi nesse intervalo de tempo, e próximo ao ponto que eu haveria de descer, que o indivíduo, repentinamente, ergueu-se da cadeira, postou-se de frente para todos, abriu a mochila, retirou uma grande e grossa vela e dois revólveres, e começou um bailado grotesco, mirando para o motorista e ao mesmo tempo para todos os passageiros, ordenando que um por um colocasse dentro da sua mochila: relógios, carteiras, pulseiras e toda espécie de valor que visualizava nos presentes – “oferecida” a cada passageiro pelo seu comparsa, como se fosse sacolinha de igreja na hora do ofertório. Os mais resistentes eram surpreendidos pelo sujeito da sacola que, rapidamente, arrancava-lhes do pescoço, orelhas e braços tudo que lhe fosse negado.

Eu, como não portava nada no corpo, por ser macaco velho, fui obrigado a tirar a minha camisa, porque o sujeito que estava na frente achou que ela serviria para dar, ao seu corpo, ares de festa, vestindo-a imediatamente, sob a proteção do comparsa que se apoderou das armas.

Isso tudo se passou em poucos minutos, com o ônibus andando, já que a primeira ordem dada ao motorista era de que seguisse viagem, em velocidade média, e não parasse para ninguém.

E não é que depois de a mochila já estar recheada, o sujeito da frente pisca para o “ajudante” que, numa fração de segundos, retira um isqueiro, ergue a grossa vela e a acende, enquanto o outro berra para todos:

- O negócio é o seguinte, cambada: Hoje é o meu aniversário e prometi a mim mesmo que muita gente boa vai cantá um “parabéns pra você” pra mim. Nunca tive isso na vida, de maneira que quero todo mundo bateno palma e cantano alto, senão, vou desejá “muitos anos de morte” pra neguinho desobediente.”

E, grotescamente, me vi obrigado a cantar parabéns para um sujeito que eu desejava que estivesse no “outro mundo”.

Antes de chegarmos ao “muitos anos de vida”, o motorista deu uma forte brecada, derrubando o sujeito sobre a arma que disparou e o “apagou” juntamente com a chama da grande vela.

Confesso que não me incomodei ao ver a minha camisa novinha com um buraco no meio.

Foi aquele alvoroço: o rapazola desceu apavorado, pois a multidão partiu em seu encalço.

Que Deus tenha compaixão de mim, porque, ao ver o sujeito pronto para o velório, com vela e tudo, arrematei:

- Vai comemorar a morte no inferno, seu infeliz!

Sem camisa, indo em direção ao trabalho, eu não queria acreditar que aquele dia fosse 1º de abril!
                                                    
                                                           

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia da poesia - 14 de março


                                          




















            Há quem faça da vida uma constante poesia. É o caso dos sonhadores por 
exemplo. E há quem faça da poesia uma constante na vida. Esses são os poetas, também sonhadores, que buscam, por meio da arte de poetar, retratar seus anseios e os alheios, ou mesmo trabalhar a palavra nas metáforas, jogo de sons, rimas, recursos visuais e tantas outras maravilhas que compõem, hoje, o que chamamos de universo poético.
            O poeta é um ser inquieto. Inquieto com tudo que o circunda. Incomoda-o a injustiça social, a violência mundial, a política descomunal... Por isso, ele canta, não só as suas dores, os seus clamores, como também os do mundo e, dessa forma, o poeta encanta.
            O poeta é um lutador. Luta com as palavras que muitas vezes o atropela, na ânsia por aquela que melhor reflete a sua verdade. “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã"... Carlos Drummond de Andrade.
            Não é necessário ser poeta para perceber a existência da poesia nas coisas, nas pessoas, no tempo... A poesia está relacionada à emoção, embora, João Cabral de Mello Neto, considerado um poeta seco, ter dito que não precisava e nem achava necessária a emoção para compor seus poemas.
Para entender o poeta é necessário ter olhos de poeta: “Quando um leitor diz ao poeta que não entendeu o que ele quis dizer com o seu poema, é porque um dos dois é burro”. Mário Quintana.
            Por isso, o poeta também “é um fingidor. / Finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que, deveras, sente”. Fernando Pessoa.
 Alguns poetas têm uma fonte de inspiração peculiar. Augusto dos Anjos, por exemplo, tornou-se conhecido como o poeta que cantava a morte, a degradação do ser humano como corpo que apodrece com o fim da existência; já, Carlos Drummond de Andrade se firmou como o poeta que cantava a vida, as coisas, a pedra, o urbano.
            A trajetória do ser humano é composta de emoções, por isso, nossa vida é uma constante poesia encontrada na música, nas artes, nos acontecimentos alegres e tristes que nos rodeiam.
            Observem uma mulher grávida. Ela difere de uma mulher gorda. A barriga de uma gestante nos emociona pelo seu interior. Assim também é com a poesia. É preciso ver a essência.
            Enfim, seja lírico, sonetista, modernista, concretista, cordelista ou trovador, o poeta é multifacetado e consegue fazer da palavra uma obra de arte e, da poesia, o ar que ele respira.

            “Se o poeta é o que sonha o que vai ser real,
          bom sonhar coisas boas que o homem faz
         e esperar pelos frutos no quintal.”(Coração Civil – Milton Nascimento e Fernando Brant)

            E viva a poesia!